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As bibliotecas, segundo Valter Hugo Mãe

Um belo texto de Valter Hugo Mãe sobre as bibliotecas. Para ler hoje, 27 de outubro de 2014, dia nacional das bibliotecas escolares
 valterhugomae
Transcrição:

As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.

Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se  entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.

O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.

Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.

Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.

Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra.

Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.

Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.

Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor. 

(in JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias (nº 1112, 15 a 28 de maio de 2013, p.34)
Para ler.

Dia Nacional da Biblioteca Escolar

27/outubro/2014

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  1. Espaços democráticos e serviços acessíveis a todos os públicos, idades, raças, níveis económicos e conhecimentos;
  2. Livre acesso à informação, tecnologia, ferramentas e outros recursos e serviços, disponíveis aos utilizadores;
  3. Formação em geral e do utilizador no uso de novas tecnologias e acesso à informação com o objetivo principal de reduzir a fenda digital existente;
  4. Locais de ajuda, apoio, orientação, educação, lazer, participação cívica, divulgação, disseminação e construção da comunidade;
  5. Locais de aprendizagem, estimulando a curiosidade e a criatividade que convidam ao desenvolvimento e produção de ideias e à sua implementação;
  6. Lugar de evasão, união, prazer, ler, ouvir e (com)partilhar com outras pessoas;
  7. Preservar o passado e a memória local.
  8. Entidades eficientes em termos de custos e seus benefícios para a sociedade;
  9. O valor oferecido pelas bibliotecas e seu ecossistema é traduzido pelo sentimento de pertença dos seus utilizadores e por ser um dos serviços mais valorizados pelos cidadãos;
  10. Entidades vivas, cheias de energia e sentimentos. Mais do que nunca necessária em tempos de crise.

Adaptado de Informe APEI: Bibliotecas ante el siglo XXI: nuevos medios y caminos para marcar a celebração do Dia Nacional da Biblioteca Escolar (27 de outubro de 2014)

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Outubro – mês internacional das bibliotecas escolares

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Este ano, o Fórum Luís de Camões na Amadora apresenta “Galáxia XXI” como tema central do AmadoraBD. Baseado na criação e difusão da banda desenhada perante novos suportes, apresentando casos do que se passa nos Estados Unidos e no Japão, a leitura em ecrãs digitais, mas também o regresso às tintas e a relação da BD com o cinema, este é um festival que cumpre já 25 anos.

Este ano o AmadoraBD, que decorrerá de 24 de outubro a 9 de novembro, recebe uma das maiores exposições de sempre sobre Batman (DC Comics), não esquecendo os 50 anos da Mafalda, de Quino.

Uma das novidades deste ano é a exposição dedicada ao ano editorial português, tanto na banda desenhada como na ilustração para a infância, e que refletirá, segundo Nelson Dona, “uma maior diversidade de oferta tanto artística como editorial e um predomínio da edição independente ou de autor”. Haverá uma zona comercial e de autógrafos, que aproxima autores e editores dos leitores, estando previstos vários lançamentos editoriais.

O PROGRAMA pode ser consultado na página oficial do AmadoraBD.

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A biblioteca escolar dá acesso grátis a muitas coisas que os alunos não têm em casa.

Fonte: bibliotecasemrede

Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, escolheu e contou para a TKNT a história da Aranha Paulina. Um texto de Regina Guimarães e edição dos Cadernos do Teatro Campo Alegre. A história que meninos e meninas – às vezes os pais até gostam mais – vão ouvir antes de deitar. Esta, antes de muitas outras com muitos outros cantores.

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