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Posts Tagged ‘valter hugo mãe’

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A 10 e 11 de abril e 4 de maio, a literatura volta a Castelo Branco. Numa terceira edição, o Festival Literário de Castelo Branco assume o nome de “Fronteira”, num evento que se pretende de reflexão e de discussão sobre até onde a literatura pode chegar.

No dia 10 de abril, vários autores levarão às escolas do concelho o tema «Ler: atravessar fronteiras para outros mundos». A vontade de criar novos públicos, aproximando leitores e autores dando especial atenção aos mais novos dá o mote para as visitas às várias escolas do concelho. As sessões serão subordinadas ao tema «Ler é como atravessar uma fronteira para o mundo». Porque o mundo todo está no virar de uma página.

A 3ª edição deste festival contará com as presenças de Valter Hugo Mãe, Francisco José Viegas, Fernando Alvim, João de Melo, Bruno Vieira Amaral, João TordoValério Romão entre os 15 autores convidados.

O primeiro dia termina às 21.30h, com a Mesa 1, sobre o tema “Onde fica a fronteira entre a razão e sentimento?”, no Centro Cultural de Alcains, com os convidados João Afonso e Renato Filipe Cardoso.

10 de abril, pelas 14.30h, o nosso agrupamento contará com a visita de um magnífico ilustrador português – Paulo Galindro – que irá, certamente, deslumbrar, os nossos pequenos artistas das turmas de 3º e 4º anos das escolas básicas Afonso de Paiva e S. Tiago.

Galindro

Paulo Galindro – Ilustrador nasceu a 11 de julho de 1970. É licenciado em Arquitetura, mas foi na oficina de artes gráficas do pai que, logo desde criança, nasceu o gosto pela ilustração. Criou, com Natalina Cóias, a marca Pintarriscos, um minúsculo passarinho que os inspira, entre outras coisas, a transformar paredes em páginas de livros gigantes. Dos seus vários e diversos trabalhos, feitos em parceria com alguns dos mais importantes escritores nacionais e internacionais, como Luís Sepúlveda, António Mota, David Machado, entre outros, destacam-se «O Tubarão na Banheira», que lhe trouxe o prémio Autores SPA/RTP 2010 para Melhor Livro Infantojuvenil, e «O Cuquedo», que mereceu a menção honrosa no Prémio Nacional de Ilustração 2009.

A 11 de abril, logo pela manhã, decorrerá no Museu Cargaleiro, pelas 10.30h, uma oficina de Ilustração com Pedro Vieira e pelas 12h na Biblioteca Municipal de Castelo Branco ocorrerá o lançamento do livro “Vera Cruz”, de João Morgado.

Ao longo da tarde, acontecem ainda 3 mesas de debate, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco: “Fronteiras para o Século XXI” (15h), com Bruno Vieira Amaral e João Tordo; “Entre Macondo e Ilha dos Amores” (16h), com João de Melo e Valério Romão; “De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento” (17h), com Francisco José Viegas e José Manuel Fajardo.

O “Fronteira- Festival Literário de Castelo Branco” encerra às 21.30h, na Escola Superior de Educação de Castelo Branco, com “Fronteiras e Territórios Literários”. O convidado é Valter Hugo Mãe.

Esta edição recebe Mia Couto, um finalista do Man Booker Prize 2015, numa primeira nomeação de um autor de língua portuguesa para este prémio, a 4 de maio, numa sessão de homenagem ao escritor moçambicano que decorrerá no Cine-teatro Avenida, pelas 21.30h.

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PROGRAMAÇÃO

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As bibliotecas, segundo Valter Hugo Mãe

Um belo texto de Valter Hugo Mãe sobre as bibliotecas. Para ler hoje, 27 de outubro de 2014, dia nacional das bibliotecas escolares
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Transcrição:

As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.

Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se  entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.

O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.

Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.

Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.

Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra.

Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.

Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.

Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor. 

(in JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias (nº 1112, 15 a 28 de maio de 2013, p.34)
Para ler.

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